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Empreendedorismo

Ser o primeiro empreendedor da família é também um peso

02 mai 2026·6 min de leitura
Ser o primeiro empreendedor da família é também um peso

Sobre culpa, comparação e a solidão de trilhar um caminho que ninguém ao seu redor entende.

Eu sou o primeiro empresário da minha família. E demorei muito para entender que isso, além de uma conquista, é também uma travessia solitária.

Não existe espelho na sua casa. Não existe alguém que entenda o que é decidir uma folha de pagamento na sexta-feira. Não existe ninguém que tenha sentido o medo específico de pedir empréstimo no banco para pagar a sua própria empresa.

A solidão que ninguém comenta

Tem uma solidão particular em ser o primeiro. Você não tem com quem conversar de igual para igual sobre o que está vivendo. Sua mãe se preocupa. Seu pai dá conselho que vem de outra realidade. Seus amigos de infância acham que você está 'rico' porque tem CNPJ.

E você fica ali, no meio, sem ter onde colocar a verdade.

A culpa de avançar enquanto os outros não avançam

Conforme as coisas começam a dar certo, vem uma culpa estranha. Você melhora de vida, e olha para o lado, e os seus não estão no mesmo passo.

Aí você começa a sustentar gente. Pagar coisa que não devia. Bancar família como se fosse obrigação. E isso, em vez de ajudar, te puxa para baixo e cria ressentimento dos dois lados.

Eu já fiz tudo isso errado. E aprendi do jeito caro.

O peso da expectativa

Quando você é o primeiro, todo mundo passa a esperar coisa de você. Achar que você 'pode', achar que você 'tem'. Achar que problema seu não é problema porque, afinal, 'você se virou'.

Você precisa aprender a dizer não. Não para pedido de dinheiro, não para chamado emocional, não para responsabilidade que não é sua. Sem ser frio. Mas firme.

O que me ajudou a atravessar

Buscar gente igual a você. Outros primeiros empresários da família, outros que estão andando na mesma trilha. Não tem grupo de WhatsApp que cure isso, mas tem conversa de bar, mentoria, comunidade — onde alguém olha pra você e diz 'eu sei, eu também passo por isso'.

Aí o peso divide. E você consegue continuar.

Para quem está começando essa travessia agora

Você não está errado por sentir o que sente. A culpa não é sua. O peso é real. E você consegue carregar — desde que não tente carregar sozinho fingindo que não é peso.

Esse caminho não é uma traição da sua origem. É uma forma de honrar.

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