10.000 km sozinho de moto: o que aprendi sobre decisão

A viagem que mudou minha cabeça sobre risco, planejamento e a coragem de começar antes de estar pronto.
Eu saí de Piracicaba sozinho, numa moto, com uma mochila e a vaga ideia de que iria 'longe'. Voltei dez mil quilômetros depois, com a cabeça reorganizada do jeito que nenhum livro ou curso conseguiu fazer.
Essa viagem não foi sobre moto. Foi sobre decisão.
A pergunta que me empurrou para a estrada
Eu estava num momento em que tudo estava 'bem'. Faturamento ok, agenda cheia, time funcionando. E mesmo assim, eu sentia que estava preso numa rotina que não tinha mais nada a me ensinar.
A pergunta que me empurrou foi simples: 'se eu não fizer isso agora, quando eu vou fazer?'. Não tinha resposta. Então eu fui.
A primeira lição: planejar é importante, mas começar é mais
Eu planejei a viagem por umas três semanas. Mapa, equipamento, revisão. Em algum momento entendi que se eu continuasse planejando, eu nunca ia sair. Tinha sempre 'mais uma coisa' para checar.
No dia que eu botei o capacete e saí, eu não estava 100% pronto. Mas estava pronto o suficiente. E pronto o suficiente é o que basta para a maioria das decisões da vida.
A segunda lição: o risco que você imagina é maior que o real
Eu passei semanas com medo de chuva forte, de cair, de quebrar a moto no meio do nada. Tudo isso aconteceu, em alguma medida. E em nenhum momento foi tão grave quanto eu tinha imaginado.
A cabeça humana é uma máquina de cenário catastrófico. Quase nunca os piores cenários acontecem. E quando acontecem, você se vira melhor do que esperava.
A terceira lição: solidão é professora
Dez mil quilômetros sozinho é muito tempo dentro do próprio capacete. Sem playlist conseguindo cobrir o barulho da própria cabeça.
Eu sai dessa viagem com clareza sobre coisas que vinha empurrando há anos. Sócios que não eram mais sócios. Decisões que eu vinha adiando por medo. Vidas que eu queria construir, e que não estava construindo porque estava ocupado demais 'trabalhando'.
A quarta lição: a estrada não te ensina, ela te mostra
Quem você é na adrenalina, na exaustão, no perigo, na contemplação — é a mesma pessoa do dia a dia. Só que sem máscara.
Voltei sabendo coisas sobre mim que eu fingia não saber.
O que eu carreguei para o negócio depois
Comecei a decidir mais rápido. Comecei a parar de planejar coisas que precisavam ser começadas. Comecei a confiar no meu instinto sobre pessoas, sobre clientes, sobre oportunidades.
A viagem não me deu nada que eu já não tivesse. Só me devolveu o acesso ao que eu já sabia e tinha enterrado debaixo da rotina.
Se você está esperando o momento perfeito para fazer alguma coisa grande, talvez o momento seja agora. Não amanhã. Não 'quando der'. Agora.
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